segunda-feira, maio 21, 2007

Maddie? E os outros...!?

Também vou escrever sobre a Maddie e juntar-me a mais um teatro mediático. Até me lembrei da morte daquele jovem actor, o Francisco Adam, colhido por um acidente de viação como tantos outros da sua idade e cujo último adeus a este mundo foi violentado pelo espantoso gozo que este país tem na visão do sofrimento alheio.

Serei breve, talvez até curta e grossa, desculpem-me os pais da Maddie de quem não consigo sequer imaginar o sofrimento, porque tenho dois filhos e não concebo a vida sem eles!
Cabe perguntar quantas crianças são raptadas, maltratadas, abusadas, negligenciadas e até assassinadas no nosso país? Quantas desapareceram sem rasto? E já agora quantas têm direito a este tratamento VIP por parte da nossa imprensa diária e semanal, dos nossos blogs, das nossas televisões e rádios? O que é que torna a Maddie tão especial? Ou antes, o que é que torna os outros tão pouco especiais? E porque é que ninguém se lembra que os pais da Maddie deixaram as crianças sózinhas enquanto foram encher a barriguinha com as delícias da gastronomia algarvia?

Pois, bem me parecia que não há resposta para estas perguntas!

Era suposto rezar pela Maddie, ou fazer um minuto de silêncio ao meio-dia de hoje. Como a Maddie tem um país inteiro a pensar nela, eu preferi concentrar-me na Sofia, na Cláudia, no Rui Pedro, no Rui Manuel, no João, no Jorge, na Ana, na Rita... alguns deles desaparecidos há tanto tempo que, a estarem vivos, já são jovens adultos, e saberá Zeus com que cicatrizes no corpo e na alma, sem nunca terem tido direito a tempo de antena durante o intervalo de qualquer evento desportivo ou à voz activa dos famosos a apelar por eles.


É bem verdade que, da vida, e tantas vezes por motivos inconfessáveis, alguns são filhos e outros apenas enteados!!

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sexta-feira, abril 27, 2007

Mudanças


A mudança, seja ela qual for, é quase sempre difícil de aceitar. Não só pelo medo que nos causa o desconhecido, mas pela insegurança que produz perder o que nos é familiar.

No entanto, é necessária. Por vezes é mesmo inevitável. E pode ser muito agradável se mudamos para melhor, ou para o que pensamos possa ser melhor. Há sempre muitas dúvidas - será que vai correr bem, será que aqui me vou sentir em casa, será que vou gostar de me ver, será que me vou adaptar a esta situação, a este trabalho, a estas pessoas, a esta nova vida? Há o friozinho na barriga, o medo de falhar, de não ser capaz de dar conta do recado no novo emprego; há o desconforto inicial, os gestos já mecanizados que precisamos substituir, a reorganização do quotidiano, os ruídos e os cheiros estranhos na nova casa; há a aceitação e interiorização de modos de estar diferentes, de hábitos novos na nova cidade ou país; e tudo isto pode piorar se incluirmos relacionamentos pessoais. Por outro lado, há a novidade, o prazer da descoberta, o testar da nossa capacidade de nos reinventarmos num dia-a-dia que queremos cada vez melhor.

Acredito que só nos devemos arrepender do que não fazemos. Pior que suportar os resultados de uma má mudança, será viver para sempre sem saber como teria sido! O importante é tentar, é evoluir, é ambicionar ir mais longe, é não se acomodar no menos mau ou no mais ou menos. Importante mesmo é não parar no tempo porque a vida não se compadece daqueles que chegam atrasados.

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quarta-feira, abril 25, 2007

Liberdade



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É fácil estabelecer a ordem de uma sociedade na submissão de cada um dos seus componentes a regras fixas. É fácil moldar um homem cego que tolere, sem protestar, um mestre ou um Corão. Mas é muito diferente, para libertar o homem, fazê-lo reinar sobre si próprio. Mas o que é libertar? Se eu libertar, no deserto, um homem que não sente nada, que significa a sua liberdade? Não há liberdade a não ser a de «alguém» que vai para algum sítio. Libertar este homem seria mostrar-lhe que tem sede e traçar o caminho para um poço. Só então se lhe ofereceriam possibilidades que teriam significado. Libertar uma pedra nada significa se não existir gravidade. Porque a pedra, depois de liberta, não iria a parte nenhuma.
Antoine de Saint-Exupéry, in "Piloto de Guerra"





A liberdade custa muito caro e temos ou de nos resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço.
José Martí, in "Discursos"


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segunda-feira, abril 09, 2007

Reunião de Família

Levantar cedo, acordar as "crianças", duches à vez, quem usa o secador primeiro, preparar pequenos-almoços, pôr cremes, perfume, xiça que ainda tenho que ir encher o depósito do carro, vestir à pressa enquanto eles comem, sair a correr... auto-estrada, ponte Vasco da Gama, A1, duas horas e tal de caminho até Sever do Vouga - a terra do pai das "crianças".

Opá, que raio de ideia, fazes-me andar este caminho todo quando podia ter ido só até à Figueira da Foz...!
Sever está quase igual, pouca coisa mudou. Da A1 entra-se na A25 em direcção a Albergaria-a-Velha e depois na velha estrada cheia de curvas que, segundo consta, foi projectada por um engenheiro inglês que a tudo respondia yess, yesss e mais yessss. Lá continuam os esses a demonstrá-lo!

E de repente, todos reunidos no Restaurante Vitorino (agora completamente remodelado!), sentados a uma enorme mesa redonda: os miúdos, o pai deles, a ex-sogra, o ex-cunhado, o ex-sobrinho, e eu. O almoço pedido por mim como condição sine qua non para a visita, vitela assada com batatas e arroz de forno, e encomendado com antecedência pela "sogrinha", as conversas a recordar outros almoços no mesmo local, outros tempos comigo e sem mim..., Olha, agora já podemos ir lá passar um fim de semana nas férias do João. Não te importas, pois não?, pois, sei lá, acho que não, por favor tirem-me deste filme, tirem-me este sorriso diplomático da cara e expliquem a esta gente que o facto de estar sózinha não muda nada!

Depois do almoço, visita obrigatória à Cabreia - uma cascata no rio Mau, parceiro do rio Bom e ambos afluentes do Vouga, que com os seus 25 metros de altura é a maior de Portugal e a quarta da Europa - e aos seus recantos de extraordinária beleza natural. Devia ter-me lembrado que o amor pela natureza sempre foi uma das coisas que partilhámos antes de calçar os sapatinhos de salto, mas pronto, nunca me incomodou andar descalça e o local vale o esforço.


Fim do passeio numa pastelaria com água refrescante e um café, juntar coragem à vontade para a viagem de regresso a casa, muitos beijos e adeuses, até outro dia! Pelo caminho uma sensação de dever cumprido e alívio... fila de alguns quilómetros perto da saída para Santarém, música bem alto, dançar e cantar sob os olhares entre a surpresa e a reprovação dos restantes condutores. Zeus me valha, há gente muito mal disposta por essas estradas fora!

E finalmente em casa. A Luna aos saltos, feliz e curiosa pelos cheiros desconhecidos. Cá estamos os quatro de novo, sem presença masculina, sem figura paterna, sem lhe sentir a falta. Um dia com a família alargada é suficiente para percebermos a cumplicidade que cada vez mais nos une. Somos uma família inteira :)

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domingo, abril 08, 2007

Não gosto de médicos?

Pois não, ehehe! Médicos enquanto médicos, claro! Se vou ao médico é porque estou doente, e se não estiver tenho a certeza que eles me vão descobrir qualquer coisa e basicamente é isso.
Não tem nada a ver com as pessoas - a Dra. Manuela Costa, minha médica de família, é uma mulher fantástica; o Dr. Helder Ornelas, pediatra dos meus filhos, é um homem adorável e absolutamente brilhante; o Dr. Joaquim Miguel, que foi meu ginecologista durante 23 anos, trouxe os meus dois filhos ao mundo, diagnosticou o cancro da minha mãe, e que considero um amigo muito querido, é um dos homens mais competentes (além de atraente!) que conheço.
E menciono apenas estes 3 para não me alongar demasiado. Admiro neles a vocação, a dedicação, a permanente disponibilidade. São seres humanos extraordinários!

Por outro lado adoro séries com médicos. Vejo e revejo os episódios de ER com verdadeira devoção. É provavelmente a melhor série passada em ambiente hospitalar de sempre. Também vejo House MD e sou fã incondicional da sua irreverência. E tenho pena de não ter acesso ao Fox Life para ver Grey's Anatomy...

Diz-me o meu amigo Javier (aliás Dr. Javier Perales!) que estas séries nem sempre são muito realistas. Na opinião dele, House MD é até impraticável, mais que não seja pela despesa que representaria ter uma equipa de médicos a tratar um doente de cada vez. Embora ele também seja fã ;)

Seja como for, realista ou não, quem pode resistir ao charme destes médicos*?


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Mais ainda, como resistir ao charme de um médico bem real que re-entrou na minha vida após anos de afastamento e que todos os dias me faz acreditar que o sol e todas as estrelas brilham por mim?


* Noah Wyle e Goran Visnjic, respectivamente Drs. John Carter e Luka Kovac em ER.

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sexta-feira, março 16, 2007

Incertezas

"...surgiu um mundo de incertezas: o amor por Dora, indiscutível mas amolgado pela rotina; outro amor por Isabel, feito de saudades da sua própria juventude e do fascínio pelo riso dela, cheio de vida e promessas; o medo do envelhecimento...; ... as dúvidas sobre o resto do caminho à sua frente. Pablo passou um mau bocado..."
in Olhos nos Olhos, Júlio Machado Vaz




A verdade é que não podemos apenas sentir... temos sempre que estragar tudo com mais e mais ponderação, com prós e contras, com balanças que pendem para um lado e depois para outro acrescentando ainda mais à dúvida que já se tinha instalado. Não podemos apenas seguir o instinto, o desejo, o que o coração nos pede aos gritos. Temos sempre que questionar, avançar e retroceder, usar reticências até gastar o pontinho no teclado da nossa alma.
Seria tão simples se apenas nos deitássemos sobre as ervas, como animais que cedem a um cio pesado e inevitável, por entre os malmequeres amarelos desta Primavera reencontrada numa curva do caminho!

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sexta-feira, março 09, 2007

Vai onde te leva o coração...

...tu corazón va por delante de ti y tu le sigues.



Ainda me conheces bem. Ao longo da vida coisas houve que pude mudar. Mas não esta, nunca esta! Seguir o coração. Fui onde ele me levou, correu mal, voltei a segui-lo, correu mal de novo e sempre, sempre volto. Não sei viver de outro modo. Por mais que a razão me avise, por mais que reconheça o risco.

Não sei se é um defeito. E apesar de ser uma crítica, tenho a certeza que a escreveste com um sorriso nos lábios. Tu, tão racional. Com os pés tão bem firmes na terra. Eu sempre a tentar os meus vôos de borboleta, pronta a atirar-me ao abismo, a viver nem que seja por um só dia!

Foi por ir onde me leva o meu lado esquerdo que te libertei do jardim encantado onde dormias há tanto tempo. Talvez preferisses continuar por lá. Na tranquilidade da tua vida sólida e confortável. Ou talvez não! Levei-te num passeio pelos momentos mais belos das nossas vidas, despertei-te os sentidos, sacudi-te a paz. Sei que nunca irás onde te quer levar o coração. Mas sei também que nada poderá superar o arrepio das asas de borboleta no tecido macio da tua pele.


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domingo, fevereiro 25, 2007

Unforgettable

Há pessoas que deixam na nossa vida marcas absolutamente indeléveis. Que de muitas formas são inesquecíveis e que, apesar do tempo, da distância e da falta de contacto, continuam presentes.
Há filmes que nos fazem sonhar e querer ser um dos personagens.
Há momentos em que a realidade supera de longe a ficção de qualquer filme :)

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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Vinte e tantos anos depois...

- Hola! Soy yo...
- Sí ya lo sé, he intentado llamarte...
- Sí... y te acuerdas de mí?
- Como podría olvidar?! Tu voz está igual... tu risa...

Durante hora e meia fui outra vez aquela rapariga de 20 anos que conheceste. A tua voz agitou-me o coração exactamente como naquela época, exactamente como naquele dia em que, sentados nos baloiços do parque, me dizias temer estragar a nossa amizade. Não estragaste. És uma das recordações mais belas que tenho.

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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Nó cego

Enredo de Pedro Caballero


Não é que não queira escrever... escrevo todos os dias, desenho a escopro e martelo palavras que endurecem a ponto de não as poder partilhar.
Não é que não queira estar aqui... estou todos os dias em vários lugares ao mesmo tempo, transportada por estradas, planos, mapas que levam a lado nenhum. Por isso vou sempre e sempre permaneço.
Não é que não sinta saudade... sinto todos os dias a falta de tanta gente vinda e ida, presente e passado de uma vida que não sei a quem pertence e que não sei justificar.

Não é falta de inspiração... é talvez turbilhão, enredo que envolve, aperta, sufoca, inexplicável.

Não esqueço... guardo, acumulo!

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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Ser Eu

Quando era menina surpreendia os meus pais pedindo lições de equitação para substituir as de piano que já me cansavam. Subia às árvores e andava por cima de tudo quanto era muro, em vez de brincar com as bonecas trazidas de Madrid pelo pai que sempre desejara um filho homem e a quem a natureza tinha dado uma filha arrapazada. Cedo desistiram de me domesticar. Não valia a pena lutar com as tranças que sempre voltavam a casa sem laçarotes.
Um dia a mãe resolveu levar-me a cortar o cabelo. Foi um dia de lágrimas. Silenciosas. Era o meu traço feminino. Fazia parte da minha identidade. A mãe ficou confusa: "Não querias ser rapaz? Agora pareces um!"
Não, nunca quis ser rapaz... mas sempre gostei de os desafiar no seu território. Odiava que me espetassem na cara as coisas-que-rapariga-não-faz. E fazia! Desobedecia. E suportava o castigo, aceitava-o de cabeça erguida, recebia-o como contrapartida ao prazer que me dava vencer. Aprendi que não há almoços grátis. Sei que nada na vida vem sem trabalho, sem dor, sem pagamento. Aprendi a lutar por aquilo que quero. Sem truques de menina bonita e frágil. Apenas indo lá com aquilo que a natureza me deu.

O meu defunto dizia-me muitas vezes para me pôr no meu lugar de mulher. Nunca consegui que me explicasse onde era esse lugar. Desconfio que era muito abaixo dele. E por isso mesmo fui à procura de quem me quisesse lado a lado.

Ainda não encontrei :/ !!

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

Mulheres sózinhas...

Após uma separação o tempo de luto pode variar. Mas após esse período de pausa para carpir a dor do que se perdeu começamos inevitavelmente a fazer as continhas. E não restam dúvidas que muito se ganhou também. Ninguém espera por nós, mas também não esperamos por ninguém. Não estamos condicionadas aos desejos de outra pessoa.
É claro que se sente um certo desespero quando vemos as nossas amigas acompanhadas. Resta saber se estão bem acompanhadas. Aplica-se aqui muito bem o tal mais vale só... até porque temos sempre os nossos queridos amigos(as) que nos aturam as crises às 3 da matina. Porque estamos disponíveis damos mais e recebemos incomparavelmente mais também.

Para já sabe bem ser cortejada, sentir olhares gulosos, aceitar trocar números de telemóvel e convites para jantar. Sabe muito bem andar meio atordoada em saídas e festas de solteiros e divorciados. Para já é muito bom ter todo o tempo do mundo para dedicar a mim mesma e aos meus filhos. Para já é confortável poder dizer um you wish... seguir adiante sem medo ou remorso, sem dar justificações a ninguém! Sem o apoio de muletas, on my own two feet ;)

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segunda-feira, janeiro 22, 2007

Mulheres de armas

Em 2005, 5 homens foram assassinados em casos de violência doméstica. As principais suspeitas foram as suas companheiras.

Em 2006, 6 homens declararam ser vítimas de violência doméstica. Em 2005, foram 7. São casos raros, mas acontecem.

Quanto aos homicídios, acontecem principalmente depois de anos de maus tratos por parte do homem. E elas não aguentam mais e matam-nos. São mulheres desesperadas... mulheres que se armam e defendem, que decidem não baixar mais a cabeça e esconder a sua raiva, que decidem fazer com as suas mãos a justiça que a Justiça não faz. Nestes casos os tribunais portugueses começam a ter em conta todo o processo e não apenas o momento do crime. Nos Estados Unidos e no Canadá já existem mulheres que foram ilibadas desta forma. É justo! Há homens que só entendem quando se lhes fala na sua própria linguagem...


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sábado, janeiro 20, 2007

Há quase 25 anos...

é verdade, há quase 25 anos, pelo menos, que andamos nisto de despenaliza, não despenaliza, Sim e Não e muita conversa fiada.
Há quase 25 anos, no dia 3 de Abril de 1982, Natália Correia pôs a AR a rir de tal forma que os trabalhos tiveram que ser interrompidos. E porquê? Porque à frase do deputado João Morgado do CDS - "O acto sexual é para ter filhos." - a poetisa deputada respondeu em forma de poema:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.


Em 25 anos quantas mulheres recorreram ao aborto? Quantas ficaram impossibilitadas de voltar a engravidar ou morreram pelas más condições em que o fizeram? A lei impediu-as?

Felizmente para mim, nunca fui obrigada a recorrer a tal prática. Sou pela vida, quando essa vida tem condições para decorrer dentro da normalidade. E reconheço que a normalidade para mim, pode ser muito diferente da normalidade de outros. Para mim significa planear, não correr riscos que impliquem a vida inocente de um novo ser humano. E, por isso mesmo, tive dois filhos exactamente quando os desejei, planeei e fiz. Provavelmente também porque tive a sorte de não me correrem mal os planos.

Quando as coisas correram mal a amigas minhas acompanhei-as, ajudei em tudo o que me foi possível. Também a interromperem a gravidez se conscientemente assim o desejavam. E conheço as diferenças entre abortar às escondidas e abortar numa clínica em Mérida (Espanha) com acompanhamento médico e psicológico. É um abismo de diferença. Também nas consequências. E sim, também nas lágrimas que o tempo eventualmente secará. A tristeza de abdicar de um filho, com ou sem medo, deixa sempre marcas numa mulher. Mas um aborto feito sem dignidade pode marcar o corpo e a alma de forma indelével.
A minha parca experiência leva-me a respeitar as decisões de outros em relação ao seu corpo e à sua vida, em relação ao que é melhor naquele momento para si mesmos e para uma nova vida que está em formação. Entendo que uma mulher não queira ter um filho com Trissomia 21, por exemplo, entendo que não queira ter um filho que não pode sustentar. Entendo quem os queira ter. É um direito de cada um! Quanto ao feto, tem o direito de ser desejado e amado e educado com total disponibilidade por parte dos pais. Tem direito à vida com qualidade!
Por tudo isto vou votar SIM à despenalização da IVG. De consciência tranquila! Porque acredito que, com a educação e informação correctas, cada mulher sabe o que é melhor para si e para os seus! Porque acredito que a grande maioria das mulheres não faz um aborto de ânimo leve!

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Preocupante

A nossa Robina hoje está malzinha e com toda a razão... ontem assaltaram o seu filhote à saída do colégio. De navalha e tudo. Por um telemóvel :/
Um telemóvel dá o quê? Duas ou três doses... se calhar nem tanto! Mas deu um susto de morte a um miúdo e aos pais dele. E menos mal que ficou pelo susto!

Estou com a Robina na revolta. E não me preocupa o politicamente incorrecto da coisa. Já dei pra esse peditório. Ter tido em casa durante alguns meses um irmão toxicodependente do meu ex-marido esgotou-me tudo o que era pena, compreensão e vontade de ajudar.
Desde aí recuso sistematicamente qualquer espécie de ajuda a todas as Associações desta gente. Posso estar a ser estúpida, e por mim estejam à-vontade para pensarem o que quiserem, mas creio ter cumprido a minha parte nessa missão. Vão trabalhar que o mesmo faço eu, não se metam nelas porque com tanta informação só começa quem quer. E com tanto programa e dinheiro que se gasta nesta cena, também só não sai quem não quer.
Estou cansada de paninhos quentes, ah e tal coitadinhos que infelizes que são. Eles não têm pena nem de si mesmos.

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sexta-feira, janeiro 05, 2007

Do it yourself!

Do it yourself - Joana Rêgo

Construir e reconstruir... navegar é preciso!
Em 2006 todas as estruturas da minha vida foram cedendo a vários tremores de terra de grau variável. Na primeira metade do ano passei por situações a nível profissional que nunca me teriam sequer passado pela cabeça quando mais ter mesmo que as enfrentar. O meu pai foi vítima de doença grave e deu-me o susto do ano. Passei por várias crises financeiras e a minha saúde foi-se ressentindo de tudo isto, etc, etc, etc (seria longo contar aqui a sucessão de desastres!).
A partir de Agosto um verdadeiro tsunami colocou um ponto final no equilíbrio instável que fui conseguindo até aí... e foi a descida aos infernos. Durante meses, alguém que desconheço teimava em aparecer no espelho sempre que olhava à procura de mim. Degrau a degrau vou fazendo a penosa subida. Vale-me o apoio incondicional de algumas pessoas sem as quais não sei se teria resistido.
Pronto, feito o balanço de 2006, não me fiquem aí preocupados com o tom sério da coisa. Depois do post anterior, uma conversa destas preocupava qualquer um, mas nada de alarmes porque, aqui onde me vêem e mesmo com este arzinho de quem não quer a coisa, eu sou uma lutadora. Tenho lá paciência para funerais longos, missas de 7º dia, de 1, 3 e 6 meses... o defunto não merece tanta exéquia! Lavei-lhe os pés com sangue, suor e lágrimas e sabe Zeus o que ainda está pra vir. Toca a despachar, adiante que atrás vem gente e vamos mas é ao que segue que se faz tarde!
E já agora, parece que 2007 vai ser o ano do equilíbrio para os Sagitários. Ao contrário de alguns que muito subiram em 2006 e cuja queda vai ser estrepitosa (ah pois é, armam-se em Ícaros e depois...), aqui a vossa menina da caixa vai meter mãos à obra e endireitar a vidinha. Devagar e com passos consistentes como convem. Nada melhor que aproveitar a influência benéfica dos astros, tomar o destino nas mãos e entrar por um faça-você-mesmo!



PANIC AT THE DISCO!
Lying Is The Most Fun A Girl Can Have
Without Taking Her Clothes Off

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